segunda-feira, abril 25, 2005


Sobre design, identidade... e a falta dela

Uma perguntinha: se a principal ambição de um designer é desenvolver um estilo próprio, para que uma peça seja reconhecida como feita por ele, em webdesign deveria acontecer o mesmo?

Daniela Castilho

Eu estou no Orkut desde abril de 2004. Existem diversas comunidades por lá que discutem design e webdesign. Em uma delas, meu caro amigo Irapuan Martinez, um profissional que respeito muito e amigo de longa viagem pela web, propôs outro dia uma discussão sobre um artigo que comentava o livro Fresh Styles for Webdesigners (veja aqui parte do conteúdo do livro).

A discussão infelizmente não foi muito longe, mas eu visitei os links referenciados e fiquei meditando a respeito. A pergunta que não me saía da cabeça era “onde foi parar a noção de estilo pessoal?”

Apenas uma nota mental: estamos completando esse ano uma década de internet comercial, lançada oficialmente em 1995 através de uma portaria do Ministério das Telecomunicações e Ministério da Ciência e Tecnologia. Dez anos de internet.

Em 1993 eu tive a oportunidade de trabalhar com um dos mais criativos e tecnológicos designers que já conheci: Scott Makela. Scott era uma pessoa fantástica, uma energia de 220 volts, cheio de idéias criativas, duro de acompanhar. Uma de suas principais qualidades profissionais foi ter criado um estilo próprio, tão avançado e tão marcante que muita gente até hoje usa elementos de design criados por ele sem saber.

Ele criou vinhetas para a MTV, assinaturas para filmes publicitários (Nike, Coca-Cola), tipografia para videoclips (como no clipe “Scream” de Michael e Janet Jackson), além de ter gravado um álbum musical com composições próprias. Os trabalhos de Makela – prematuramente falecido em 1999 – podem ainda ser vistos pela web e permanecem atuais.

O que me faz voltar à pergunta: o que aconteceu com o estilo pessoal em design?

Vejo muitas pessoas discutindo para onde vai a web, que sites hoje em dia são “arrasadores” – só para brincar com o título do livro que sacudiu a internet em 1996, Criando Sites Arrasadores, de David Siegel – e falando muito de tecnologia.

Parece que o Flash engoliu o mercado e qualquer iniciante que acabou de se auto-proclamar webdesigner usa Flash – nem que seja para gerar botões animados, menus deslizantes e aberturas terríveis que ficam piscando “carregando... carregando...” para depois mostrar um texto correndo onde está escrito “bem-vindo ao site fulano de tal”. Como se estivessem reinventando a roda. Usa-se a ferramenta sem nem saber para quê usar.

Volta e meia nas mesmas comunidades do Orkut surgem discussões infindáveis sobre o que é design, se design é arte ou não é arte. Não vou entrar por essa seara, mas quando as primeiras escolas de design começaram a oferecer cursos no Brasil, ainda se falava em estilo pessoal. Onde foi parar essa discussão?

A principal ambição de um designer deveria ser desenvolver um estilo próprio, algo que permita as pessoas olharem uma peça e dizer: isso foi feito pelo fulano.

Em webdesign deveria acontecer o mesmo, não?

Eu não tenho resposta para isso. Mas se todos que hoje trabalham com design, especialmente com webdesign, fizerem para si mesmos essa questão, talvez possamos iniciar uma nova década de internet com sites mais interessantes, mais qualitativos, linguagens mais contemporâneas e não apenas com aplicação dessa ou daquela tecnologia porque está na moda. Ou com um estilo X ou Y que apareceu em alguns sites e estão sendo chamados de “tendência”.

A web brasileira, em particular, precisa de mais originalidade e menos pasteurização.

matéria retirada do site: Webinsider

posted by Iris • IFD @ 6:58 PM



 

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