quinta-feira, junho 16, 2005


Qual a importância da usabilidade para o Design Digital?

Quando compramos ou vendemos projetos cujos resultados serão, de alguma forma, influenciados pela produção de design digital, é comum lermos (ou ouvirmos) termos como “usabilidade”, “arquitetura de informação”, “ergonomia de sistemas”, entre outros tantos conceitos e nomenclaturas que passaram a ser utilizados gratuitamente, sem aplicação ou, sequer, entendimento de suas premissas fundamentais.

O objetivo deste artigo não é “chutar o balde” e criticar o uso das argumentações acima citadas, muito pelo contrário, quer propor a real percepção de utilização desses elementos na produção e análise de aprovação de projetos que utilizam o design digital como quesito fundamental, em especial o assunto “usabilidade”. Resolvi escrevê-lo após ler um artigo que cita a professora Anamaria Morais, renomada estudiosa do assunto ergonomia e responsável pelo seu estudo no Mestrado em Design da PUC-Rio.

A professora Anamaria tem em seu currículo algumas brilhantes publicações sobre o assunto e também constata que “as pessoas estão reduzindo o conceito usabilidade e estreitando o seu significado”. Usabilidade vem da ergonomia e está debruçado sobre o conhecimento das capacidades, limites e outros aspectos do desempenho humano e o seu relacionamento com componentes de sistemas. Projetos de interfaces são a ação mais palpável para a percepção disso e mesmo que num primeiro momento nos foquemos na observação de seu impacto na produção de sites internet, intranets, sistemas web ou outras ferramentas online mais comuns, não poderemos deixar de lembrar que existe uma gama ilimitada de aplicações que utilizam design digital: ferramentas de controle de tráfego aéreo, medicina à distância, sistemas de segurança e produção industrial, entre outros tantos.

No caso específico dos sites internet, a usabilidade estará diretamente associada à arquitetura de informação e focada na adequada distribuição dos conteúdos (informações) e recursos (sistemas), visando ao cumprimento de seus objetivos com os públicos de interesse. Isso pode parecer simples, mas pode implicar em riscos evidentes, de acordo com a complexidade dos projetos. Para que alcancemos uma execução adequada e evitemos riscos de correção e retrabalho após o lançamento do projeto, é fundamental a aquisição de conhecimento em duas variáveis: “modelo de funcionamento” e “modelo de utilização”.

A primeira discorre sobre a necessidade da ação, ou seja, as regras de negócio que estão por trás dos propósitos do site e/ou sistema internet, seus reguladores tecnológicos, estruturais e outros. A segunda aborda a ótica inversa, ou melhor, a realidade do usuário frente ao acesso e/ou operação do site/sistema no seu dia-a-dia. Cada uma dessas variáveis pode ser quebrada em outras inúmeras ações, algumas delas obrigatórias e outras optativas, mas todas importantes. Só para citar uma dessas ações, a fim de permitir a sua visualização, o entendimento do usuário (quem é o objetivo do projeto, e podem ser mais de um) passará pela análise do perfil do público (suas características, dificuldades,...), seus interesses (o que quer, em que ordem, com qual prioridade e urgência,...), em qual contexto isso será executado (variáveis do ambiente, influência de outras operações e agentes,...), em que tempo (freqüência, horário, ...) e inúmeras outras.

Poderia escrever seis páginas só de regras e mesmo assim cairia no erro de estabelecer regras, pois não existe uma “receita do bolo”, visto que cada necessidade é diferente da outra e é esse aspecto que faz este assunto ser tão áspero. É claro, poderemos seguir um caminho comum, mas não será este curto artigo que o apresentará. Para aprendê-lo, precisaremos recorrer às obras da Profª Anamaria, J. J. Garrett, Arno Reichenauer, Bem Shneiderman e outros autores que tão bem apresentam conceitos do assunto, pois, do contrário, estaremos cometendo o mesmo erro apontado no começo deste texto, ou seja, “reduzindo o conceito e estreitando o significado de usabilidade”.

A importância prática disso tudo é que, se você é um profissional e faz design digital, é fundamental que cumpra um processo qualificado e utilize módulos adequados de aprendizado durante a execução dos seus projetos e, se você compra design digital, deve passar a perceber se o seu fornecedor cumpre estas etapas, apresentando documentação sobre sua execução, protótipos, testes,...

Ah! Quase esqueço. Não foi à toa que utilizei vários “...” (pontinhos), “entre outros”, “inúmeros”, “uma gama enorme” dentro do texto. Queria mostrar que o assunto é complexo e assim deve ser tratado.

matéria de: Vinícius Lobato - Formado em Comunicação Social pela UFRGS, especialista em Marketing de Serviços e Design Digital e Diretor de Relacionamento e Integração da Apdesign

posted by Iris • IFD @ 1:55 PM



 

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