domingo, dezembro 25, 2005


Sindicato dos Designers Estressados

Tempos difíceis são esses para os designers. Quase todos que eu conheço estão sem emprego ou insatisfeitos com o local de trabalho. Para quem é iniciante, os estágios já não servem mais para ensinar, e sim como um meio para conseguir mão de obra qualificada e barata que executar o trabalho de um profissional contratado. Muitas empresas já não respeitam mais o profissional. Não ouvir o que ele tem a dizer, salários e horas extras não pagas ou mal remuneradas, autoritarismo(ou seria militarismo?), falta de organização, briefings mal resolvidos, promessas e mentiras são algumas das coisas mais comuns que acontecem na vida de milhares de designers.

Design é um trabalho psicológico. Imaginar soluções criativas, visuais atraentes e boas sacadas não é algo que se faça estressado. Quando essas empresas vão descobrir que se contribuírem com a qualidade de vida de seus designers irão contribuir para o desenvolvimento e crescimento dela própria? Isso fará com que a rotatividade de funcionários diminua e a equipe se fortaleça. É claro que se criou um mito de que profissionais de criação viajam para ilhas paradisíacas pela empresa para terem uma grande idéia. Sem dúvida vocês já devem ter tido um professor que tenha dito isso. Não é bem assim, ninguém está pedindo para a empresa pagar uma viagem ao Havaí para descansar a mente e ter geniais idéias. Respeito é a palavra chave. Sem ele não adianta seguir nenhuma outra dica. Não queremos chefes no comando, precisamos de Líderes . Pessoas com espírito de liderança que saibam entender seus empregados e distribuir trabalhos sem sobrecarrega-los. Líderes que sempre investem em bons equipamentos e não fazem economias tolas. Tudo com bom senso. Ainda custo a acreditar que existam chefes que humilham e gritam com seus funcionários publicamente como se estivéssemos no inicio da Revolução Industrial. Isso traz também outra questão a tona, a Repreensão . Todo o ser humano precisa de uma, pois ela é que deve impor o limite de seus comportamentos. Mas como faze-la? Li um livro muito interessante que dava a seguinte receita. Primeiro o Líder deve chegar, discretamente para conversar com o funcionário que errou. O erro deve ser deixado bem claro para que o empregado saiba aonde errou. Depois o Líder quer ouvir como e porque desse erro pelas palavras do funcionário e não por meio de terceiros. Esclarecida a situação o Líder diz que se sente desapontado com o erro pois acha que o profissional tem grande capacidade e não devia te-lo cometido. Mas errar é humano e espera que esse mesmo erro não se repita. Tudo isso sem levantar tom de voz e sem levar a “bronca” a público. Terminada a conversa, o assunto acaba naquele momento, não sendo mais citado aquele erro em situações futuras.

Organização é outro ponto importante que uma empresa deve ter. Quantos designers não passaram pela constrangedora situação de receber todo um material de “pára-quedas”? Uma equipe de planejamento e marketing é tão importante para uma empresa como os seus próprios clientes. Há menos chances de re-trabalhos e atrasos.

Comunicação dentro de uma empresa não é apenas aquela que se refere ao próprio trabalho. Pode ser também aquele papo descontraído entre colegas. Muito castigada por algumas empresas, essa forma de comunicação é um meio de aproximar mais uma equipe e aumentar mais a produtividade. Sempre cairemos no ponto do bom senso. Cada profissional sabe de suas responsabilidades e do tempo que tem para cumpri-las. Quando o líder inspira respeito e admiração isso não é difícil de ser conseguido. A liberdade é dada a partir do conceito de que assim como se acredita que o profissional é competente suficiente para exercer sua função, também é competente para saber gerenciar suas próprias responsabilidades. O último princípio, mas não menos importante, é o Elogio . Sempre sincero, um simples parabéns já faz com que o trabalhador se sinta importante. Um trabalho reconhecido é um sinal de respeito muito motivador.

A questão mais delicada de todas é, com certeza, quando nela está envolvido dinheiro. Já é de conhecimento geral que é muito comum nessa área fazer horas-extras. Sempre surgem trabalhos urgentes por mais que nos adiantemos. Mais o pior de tudo é como essa remuneração é muitas vezes mal feita. Empresas que se preocupam mais com o caixa do que com os funcionários só tem a perder. Todo o esforço tido e não recompensado irá desmotiva-lo até que seus trabalhos terão a qualidade reduzida.

Nada de salários milionários e férias no exterior. O que os designers querem não são regalias, são obrigações que toda empresa deveria cumprir. Alias, acho que todos os trabalhadores deveriam ter esses mesmos direitos. Todos ganham. Sem exceção.

autora: Carolina Antunes
fonte: http://www.flashmasters.com.br

posted by Iris • IFD @ 9:42 PM



 

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