sábado, março 25, 2006


Marca não é só logotipo

Nós consumimos aprendendo a comprar por absorção de mensagens, cores, imagens, formas e experiências próprias e dos grupos que nos rodeiam. Nos tornamos consumidores após experimentar um produto, sentir afinidade com toda a comunicação que ele dissemina, por gosto próprio ou para nos sentirmos incluídos num grupo social. Tudo isso faz parte de uma seqüência de atitudes do processo de escolha e compra que vamos esquecendo com o tempo.

Quando, com esse tempo, nos tornamos fiéis a uma marca, produto, ou loja, começamos a abaixar a guarda da escolha, da observação e ficamos cegos sobre pequenas mudanças que podem vir a ocorrer com aquilo que consumimos há tempos.

Muitas empresas que falsificam produtos já sabem dessa falha humana e usam destas pequenas armadilhas para enganar os mais distraídos, principalmente em barracas de camelôs.

Marcas como Creme Dental "Colfate", Boneca "Babi", Sandálias "As Baianas" entre outras centenas que estão girando no mercado, estão entre a lei e a falsificação, na intenção de pegar disfarçadamente uma carona numa marca de venda fácil.

Estas produções grosseiras se baseiam no fato de não prestarmos mais atenção numa marca consagrada e muito consumida. Por isso, nos deixamos ingenuamente enganar por truques tão ridículos e detalhes tão pequenos.

Agora o que você diria se fosse enganado da mesma forma com marcas consagradas como Shell, Esso, Petrobrás e Texaco?

Pois é, imagine que você compra combustível há anos no mesmo posto da esquina que é da Shell todo amarelinho com listras vermelhas com os frentistas de macacão amarelo que você já conhece, com o logotipo da companhia e qualidade conhecida e, num belo dia você começa a perceber que o seu carro começa a falhar sem razão e seu mecânico chega à conclusão de que é a gasolina.

Daí, você vai p... da vida ao seu costumeiro posto tomar satisfação e percebe ao chegar e olhar com um pouco mais de atenção que o seu posto não tem marca, não tem nenhum totem com logotipo e você nem sabe há quanto tempo. Percebe, enfim, que você foi enganado "na marca", antes de ser enganado na "qualidade" do produto.

Muitos postos de combustível estão trocando de bandeira (marca) disfarçadamente e só tem o trabalho de tirar o logotipo. Não trocam as cores, não colocam novo nome, não mudam os uniformes, esperando que você não perceba e continue cliente. E essa enganação que parece ser tão ingênua para quem não entende de propaganda, é equivalente a colocar o logotipo Shett, Essa, Netobrás ou Texano, como naquelas embalagens fajutas que os camelôs tentam vender para seus consumidores de passagem.

Para um consumidor, que entra pela primeira vez num posto, a observação da marca é normal, já que se experimenta (por necessidade ou desejo) aquele ponto-de-venda para talvez depois ficar fiel ou não. No caso dos consumidores já fiéis, o problema é a perda da percepção, que pode levar tempo para que enxerguemos a falta da marca. E a marca dos combustíveis não fica em nenhum lugar a não ser no PDV e na bomba. Depois que o produto é enfiado diretamente no seu tanque, fica difícil conferir.

Este tipo de artimanha pode nem estar prevista nas leis do Procon, mas é uma manobra com interesse claro de induzir o consumidor ao erro.

Deveria haver uma regulamentação onde cada ponto-de-venda de combustível fosse obrigado a apresentar sua marca, seja ela qual for. O consumidor que na correria do dia a dia não tem muito tempo para analisar a qualidade do produto colocado no tanque do seu automóvel, tem o direito de pelo menos saber onde está entrando e comprando.

Assim como há uma obrigatoriedade de se colocar o preço em letras garrafais para ser visto à distância de pelo menos 100 metros em percurso, deveria haver alguma norma para que o posto fosse obrigado a apresentar o quê vende.

E as companhias responsáveis pelas suas respeitáveis marcas deveriam ter mais cuidado de proteger os consumidores desses pontos-de-venda "vendidos" retirando todos os indícios visuais que remetam às suas marcas, cores e formas. Seria uma forma de proteger o valor de suas próprias marcas, que não se limitam apenas a um logotipo.

autora: Regina Blessa
fonte: http://www.popaibrasil.com.br

posted by Iris • IFD @ 6:41 PM



 

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