terça-feira, agosto 29, 2006


Sexo e erotismo na publicidade

Vivemos um momento na publicidade e nas mídias em geral, onde se abusa da erotização de corpos masculinos e femininos de uma maneira explorativa, abusiva, passando uma idéia exagerada de permissividade, numa superexposição de imagens que nem sempre tem como objetivo simplesmente atingir o público-alvo, mas também mexer com complexos do subconsciente humano.

A natureza destes complexos para o público masculino, faz com que exija-se deste uma posição diante do anúncio onde o corpo feminino aparece de uma forma quase irreal, fantasiosa e fetishista, pois quase sempre a imagem deste corpo é fragmentada em partes, mostrando detalhes em close-ups de formas que atingem diretamente o complexo de castração masculino, onde o homem precisa sempre provar a sua masculinidade, e portanto, tomar uma atitude diante do anúncio.

O Complexo de Castração no homem, como estudou Freud, vem desde a sua infância, onde ao contrário do que se acredita, a criança já possui uma sexualidade precoce formada por fantasias, quase sempre ligadas aos pais. Para Freud, a criança durante seu desenvolvimento, passa por três fases: a oral, onde ela pensa que faz parte do corpo da mãe, geralmente acontecendo durante a amamentação, uma fase anal, onde cria-se uma relação da criança com relação aos seus excrementos e esta começa a perceber que possui um corpo único, diferente ao da mãe, e finalmente uma fase genital ou fálica, na qual a consciência dessa criança estabelece a diferenciação entre o seu corpo e o da mãe.

Durante essa última fase, ocorre também o Complexo de Édipo, onde este novo Eu que se cria dentro da criança estabelecerá a consciência de que o falo será o responsável pela sua identidade sexual, uma crença infantil de que todo mundo possui pênis, criando-se aí um simbolismo do poder masculino, e com isso, passa-se a existir uma ligação física do menino com seu pai, e subconscientemente será iniciada uma batalha entre ele e seu progenitor pela conquista da mãe. Essa batalha fará com que um medo cresça na mente desta criança: o medo da castração.

Para a criança, o pai possui o poder de castrar e retirar dela a força do falo, já que com o tempo descobre-se que outras crianças não possuem a mesma semelhança anatômica. Esse medo da castração força essa criança a provar constantemente a sua masculinidade, e com o passar do tempo, esse medo torna-se um problema não resolvido na mente do homem adulto. Não que este vá ainda acreditar que possa ser castrado, mas a provação sexual e social continua lhe sendo exigida, marcando negativamente a relação deste com as mulheres, que não serão nada além de objetos para a prova desse seu poder.

É por isso que anúncios dirigidos ao público masculino abusam tanto de corpos femininos, convidativos, como se a mulher no anúncio estivesse sempre pronta para saciar essa insaciável e inacabável provação fálica da masculinidade do homem.

Há finalmente a fragmentação do corpo, para que a percepção fetichista do homem nunca forme uma mulher ideal, apenas a mulher objeto, montada com pedaços perfeitos, onde há sempre um contraste entre o rosto e o corpo, o primeiro quase sempre frio, e o corpo sempre quente, além dos ombros estarem sempre levantados e encolhidos, mostrando um desinteresse afetivo por parte da mulher, ideal para este homem que necessita apenas suprir seu complexo de castração, e provar sua masculinidade.

O poder do sexo e do erotismo na publicidade precisa ser levado a sério e não pode ser menosprezado, já que está ocorrendo de forma abusiva e exploratória. Se não podemos consertar ser humano, pelo menos a propaganda a gente consegue.

autor: Fabrício Alves
fonte: duplipensar

posted by Iris • IFD @ 3:43 PM



 

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